Quem não se lembra da velha frase criada pelo ‘marketeiro mor’ “a esperança venceu o medo”? Pois é, durante muito tempo eu e milhares de brasileiros da minha geração – que nascemos em plena ditadura militar mas afloramos para a vida no auge da Democracia, vivemos uma grande esperança. Acreditamos que o sonho, que para nossos pais e avós parecia distante, se realizaria. Foi então que em 1989, antes de completar 18 anos exerci meu sagrado direito facultado pela Democracia e votei pela primeira vez. Claro, votei no PT de Luís Inácio Lula da Silva. Antes disso, também participei do movimento das ‘Diretas Já’ que muitas vezes tomou as ruas e lotou a Praça da Sé. Fui pra rua bandeirar e pedir voto de porta em porta. Como tantos, estufei o peito e gritei “sem medo de ser feliz”.
E nesse clima fui amadurecendo. Aprendi que democracia era muito mais que o simples significado cru da palavra – governo do povo. Aprendi que esse tal regime em que o poder está nas mãos do povo não passa de uma grande balela, simplesmente porque o povo, no sentido literal da palavra não participa das decisões e continua sendo massa de manobra nas mãos de pseudo-intelectuais e politiqueiros.
Formei-me em jornalismo acreditando que com minha profissão eu iria mudar ao menos um pedacinho desse país, e ao contrário de meus colegas que pensavam em trabalhar nos grandes jornais e emissoras de TV, optei por fazer isso aqui mesmo em Cotia, cidade onde cresci, onde vive minha família, meus amigos (e até meus inimigos rsrsrs), cidade que me inspira nos meus artigos e também me inspirou a criar esse blog. Uma das cidades mais tupiniquins que já tive noticias, cheia de encantos e belezas, mas também de muitos desencantos, de políticos corruptos, de gente boa e de gente má. Mas como diz Lulu Santos, “assim caminha a humanidade”.
Não demorou muito para que logo eu ficasse conhecida na cidade por minha postura um tanto ‘radical’ de lidar com a informação e com a noticia. Logo fui identificada como “jornalista do PT”, rótulo que em princípio não questionava. Ora, se o tal Partido dos Trabalhadores era uma referência no que dizia respeito às lutas de classes, à igualdade, à democracia, à honestidade e tantas outras qualidades, isso era motivo de orgulho e incentivo ao meu trabalho.
Apesar de nunca ter me filiado a nenhum partido, minha amizade e proximidade com os ‘companheiros’ me ajudou a tornar-me cada vez mais ‘petista’ aos olhos da comunidade tupiniquim.
Depois de tantos acontecimentos envolvendo o PT nacional (nem vou perder meu tempo elencando esses fatos aqui) e agora os novos fatos que norteiam as eleições municipais na cidade me sinto uma completa idiota, pra não dizer enojada. Será que esse tempo todo eu também fui massa de manobra nas mãos dos pseudo-intelectuais e politiqueiros? Não posso acreditar nas cenas patéticas que vejo. O PT de Cotia agora caminha lado a lado de um de seus mais ferrenhos algozes e ainda o chama de companheiro, banalizando completamente o sentido da palavra. Até onde é possível chegar para se conquistar o poder? Será que aprendi tudo errado?
5 comentários:
Em 1982,tive o primeiro contato com o PT,era de lascar...,um monte de intelectuais de literatura comunista e socialistas ,todos dentro do mesmo caldeirão.Tínham os stalinistas ,os trotkistas e os mais afamados "os xiitas",pois é ...,fui ser delegado do Colégio Osvaldo Aranha no Congresso da UNE e aí é que eu pirei mesmo,ali na boquinha da abertura política eu percebi que o tempo iria lapidar aquele diamante bruto chamado PT,pois é ...,lapidaram tanto que ficou lindo demais para compartilhar com as bases e seu brilho foi ofuscando,ofuscando,ofuscando,até CEGAR .
Espero que o resultado das urnas possa fazer crer a esses detentores do partido em Cotia ,que a decisão não foi a acertada e que essa decisão possa também lavar o partido e levar para fora os que acreditaram nesse absurdo que vimos acontecer aqui.
Olá Nelson,
Obrigada por participar do blog e pelos alogios a mim. Mas é preciso esclarecer uma coisa: NÃO SOU SIMPATIZANTE DA ATUAL ADMINISTRAÇÃO. Apenas fiz a opção de apoiar uma candidata que por coincidência é aliada ao candidato apoiado pela máquina, o que não quer dizer que este apoio seja extensivo ao candidato majoritário.
Depois de minha profunda decepção com o partido com o qual sempre simpatizei, decidi que não votarei mais em partidos e sim em pessoas por isso optei por Fau Barbosa. Outro motivo que me levou a apoia-la é o desejo de ver ao menos uma mulher na Câmara Municipal e diante das candidatas atuais, ela foi a melhor opção, e claro, o fato de ser minha amiga também pesou muito na minha decisção.
Por fim, NÃO mudei minha visão e muito menos meus princípios éticos e morais. E, claro, muito mais que você espero que os 'comandantes' da cidade queiram me 'cassar', mas se for esse o caso, que vença o melhor.
Abraços,
Sonia Marques
iiiii
fiz besteiraaaa....
Exclui o comentario do Nelson sem querer.... Nelson manda de novo por favooorrrrr..
Pessoal,
Sem querer exclui o comentário do Nelson, então postando novamente.
Descupem pelo erro.
Bom dia Sônia, sempre respeitei seus posicionamentos políticos, mesmo não concordando com vários deles Assumo neste momento que fiquei perplexo quando vi em sua pagina de relacionamentos o apoio ao tucanato municipal.
Nunca a indaguei pelo seu posicionamento, nem nas sessões da Câmara Municipal tão menos pelo ciber-espaço, justamente pelo motivo acima já exposto.
Por viver em uma democracia e por respeitar os as individualidades, parabenizo você por ter tido a coragem de se posicionar contraria e indignada com a linha que o Partido dos Trabalhadores adotou para a “tomada do poder” em nosso município.
Espero que as pessoas que administram esta cidade e que comandam “as mentes” dos mais fracos não iniciem uma “cassada” a profissional Sonia, e espero ainda, que a mulher e jornalista Sonia não mude sua visão critica e altere seus princípios éticos e morais, visto que neste momento é simpatizante da atual administração.
Um grande abraço e parabéns pelo blog.
Nelson
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