Mais um período eleitoral chegou ao fim. E a cidade volta ao seu ritmo normal. Alguns vestígios das campanhas ainda estão nas ruas – os quais esperamos que sejam logo retirados. Espera-se que a soberania popular tenha sido mantida.
Como editora do jornal eletrônico cotiatododia vivi um momento ímpar durante a cobertura das eleições. Muitas vezes fomos questionados, tanto por leitores como por candidatos que criticavam e até elogiavam nossa postura. Mas nos mantivemos firmes e temos a certeza de que cumprimos nosso papel de informar.
Agora, com os ânimos mais calmos convido você leitor a fazer uma breve reflexão: quem realmente venceu ou perdeu nesse processo? Arrisco dizer que terminamos empatados. Calma, não estou me referindo ao resultado apurado nas urnas que, teoricamente, já foi referendado e neste momento é o que menos importa na nossa reflexão. Quero me ater a duas questões muito importantes que envolvem o processo eleitoral: Democracia e Corrupção.
Que o voto é a principal arma da Democracia todos já sabemos. E nos orgulhamos disso. As campanhas eleitorais são sempre marcadas por grandes momentos, onde a preferência por este ou aquele candidato é discutida nas ruas, nos bares, na mesa do jantar, nas salas de aulas, nas redações...
Mas muitas vezes, o mau uso dessa ‘arma’ faz com que o ‘tiro saia pela culatra’ e partimos para um “genocídio eleitoral” enterrando de vez a tão amada democracia.
Não foram poucas as manifestações de leitores à nossa redação acusando candidatos de corrupção eleitoral e compra de votos ao longo de toda a campanha. Cartas que não publicamos - não para proteger este ou aquele candidato como, algumas vezes fomos acusados, mas porque democracia e direito de expressão, também tem regras e uma acusação vazia, sem provas poderia por em risco, não só a credibilidade deste veículo de comunicação, como o processo democrático das eleições.
Mais impressionante do que receber cartas de leitores acusando candidatos de comprar votos, foram os leitores declarando que ‘venderam’, sim, seus votos e ainda queriam que publicássemos tais cartas, denunciando o suposto infrator da lei eleitoral. Ora, ora! Se tudo isso for verdade, quem é mais corrupto neste caso? Quem comprou ou quem vendeu o voto?
Zero a zero. Este foi o resultado.
Se, é verdade que ‘cada povo tem o governo que merece’, você que vendeu seu voto, esteja ciente de que ele pode ter custado o esgoto que corre pela sua rua, a vaga da creche que você espera para seu filho, a nova escola no seu bairro, o asfalto, a iluminação, o campinho ou área de lazer para os jovens, o progresso de nossa cidade.
Por outro lado, se você, como eu, apostou na Democracia e foi às urnas, votou com o coração, com a esperança de transformação e de mudança, mesmo que seu candidato não tenha sido eleito, sua participação foi importante, mas sua missão ainda não acabou, é preciso estar com a ‘arma’ sempre em punho, pronta para ‘atirar’ e, se for o caso, começar tudo de novo. E que vença sempre a Democracia.
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